13 minutos. Esse foi exatamente o tempo que a artista Letícia Matos levou desde que pôs a linha na agulha, às 10h41min, até prender o último pompom, às 10h54min, na placa entre as ruas 24 de outubro e Florêncio Ygartua, nesse sábado, 05 de janeiro, em Porto Alegre. Foi mais uma coincidência em torno do número 13 (vi por meio do horário das fotos, quando cheguei em casa), desde que iniciou o projeto, em março de 2012, por acaso.
Segundo Leti Matos, como é conhecida, a ideia começou numa tarde de domingo, numa praça em São Paulo, quando estava ensinando amigas a fazer tricô. “Comentei que sabia fazer pompons, produzimos alguns, e sugeri que colocássemos numa árvore. Por coincidência, eram 13 pompons. Apesar de eu gostar bastante do número 13, foi coincidência mesmo.
Naquela mesma noite, ela decidiu fazer uma intervenção por dia nas ruas até a data do seu aniversário, sempre com 13 pompons em cada. Por volta do quarto dia, se deu conta de que desde o dia da primeira intervenção eram 13 dias até o aniversário! “Tudo coincidência!” conta entusiasmada. Além dessa marca, os pompons são outro diferencial na arte urbana de Leti, numa técnica mundialmente conhecida como “yarnbomb” (a arte do crochê e do knitting graffiti).
Enquanto montava a obra no bairro Moinhos de Vento, duas moradoras pararam para comentar sobre a beleza da iniciativa. Afinal, não é em qualquer esquina que nos deparamos com postes, placas ou árvores vestidos com espécies de blusas ou mangas de tricô ou crochê, decorados com graciosos pompons. Para Leti Matos, o principal retorno está justamente nessas pessoas capazes de ver o que faz no meio da correria da cidade. “Se uma pessoa enxergar e gostar do meu trabalho, já vou ficar feliz”, comenta.
Nascida na capital gaúcha, ela lembra que aprendeu a tricotar e a crochetar ainda criança com 7 ou 8 anos, ensinada pela mãe. E já também fazia blusas para ela própria. A atividade então se tornou um hobby. “Adoro fazer crochê. A toda a hora, em qualquer lugar. Estou sempre pensando na próxima peça”, comenta.
Lidar com agulhas e criar intervenções urbanas não é a única atividade dos gestos precisos da artista, que há 11 anos é instrutora de iôga. Agora, porém, ministra apenas aulas particulares em São Paulo, onde reside, para poder conciliar com as demandas da nova atividade. Ela faz tudo sozinha: cria, produz e vai até os locais para costurar e montar. “O tempo de produção depende do tamanho do projeto, eu até me acho rápida. Já fiz mais de 100 intervenções por aí”, explica Leti.
Além de Porto Alegre e de vários pontos de São Paulo, seus trabalhos autorais já passaram também por ruas de Buenos Aires, Paraty (RJ) e Goiânia. Mas Letícia ainda pretende colorir muitas cidades. “Tenho vontade de ir para Florianópolis, Rio de janeiro, talvez Curitiba e Salvador. Por enquanto é uma vontade”.
Nos últimos meses, tem trabalhado em encomendas de intervenções para os arredores e ruas em frente a lojas, bares ou hoteis, mas Leti também trabalha com decoração de interiores, personalizando cadeiras, almofadas, banquinhos e outros objetos. “Eu vou na casa da pessoa e vemos o que combina com o ambiente. É só entrar em contato comigo. Tem meu contato na página”.
Assim como a moda, a arte de Leti Matos é efêmera, mas o tempo de durabilidade de suas obras não a preocupa. No início ela ficava triste quando se dava conta de que em alguns lugares as pessoas arrancavam pompons, hoje sabe que o importante mesmo é a experiência e diálogo que o “yarnbomb” oportuniza entre as cidades, os homens e a natureza. “Hoje não fico mais triste. Eu faço, tiro a foto e fica o registro. Depois fica na rua, para interação com o meio. Tem o clima, a poluição, a interação das pessoas… Por isso continuo fazendo em vários lugares. Pra que sempre alguém possa cruzar com um pompom colorido no meio do cinza por aí…”
O projeto 13pompons está no Facebook e no Tumblr. A artista também publica clicks dos bastidores do projeto no instagram (leti_matos). Para encontrar fotos é só procurar pelas hashtags #13pompons #instapompons
O que acharam? Estou apaixonada desde que a descobri, no instagram e me encantei ao cruzar por uma árvore decorada, na Cidade Baixa (Porto Alegre), na sexta-feira.
Um salve às redes. Um salve à cultura urbana.
Beijos, beijos bem soft! Dani.









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16/03/2013 15:30
Por acaso, hoje entrei no site da TPM e vi essa notícia postada ontem, daí lembrei que eu vi primeiro aqui. =)
http://revistatpm.uol.com.br/so-no-site/entrevistas/13-pompons.html#1